Após investigação, presidente do São Paulo renuncia ao cargo

Após investigação, presidente do São Paulo renuncia ao cargo

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Sandro Saga

O presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, renunciou ao cargo no fim da tarde desta quarta-feira, 21. Em uma mensagem publicada em suas redes sociais, Casares disse que não havia renunciado antes “porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório”. Leia íntegra da mensagem abaixo.

Carta do Papai Noel

A decisão foi comunicada por meio de uma carta aberta e ocorre no mesmo dia em que a Polícia Civil deflagrou uma operação de busca e apreensão ligada a aliados do dirigente. Com a saída de Casares, o vice-presidente Harry Massis Júnior assume o comando do Tricolor de forma definitiva até o fim do mandato, em dezembro de 2026.

A renúncia é uma estratégia de Casares para preservar sua vida política dentro do clube. Na sexta-feira, 16, o Conselho Deliberativo já havia aprovado a abertura do processo de impeachment por 188 votos a favor e apenas 45 contra, o que resultou em seu afastamento provisório.

O rito seguinte seria uma Assembleia Geral de Sócios, prevista para ocorrer em até 30 dias. Se os sócios confirmassem a destituição, Casares ficaria inelegível por 10 anos e seria excluído do Conselho Consultivo. Ao renunciar antes dessa votação final, ele mantém seus direitos políticos e sua cadeira como conselheiro vitalício no órgão consultivo.

A queda de Casares é motivada por graves acusações de gestão temerária e desvios financeiros investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Entre os pontos centrais do inquérito estão movimentações financeiras suspeitas, o escândalo do camarote envolvendo Mara Casares (ex-esposa do dirigente) e Douglas Schwartzmann, e explosão da dívida.

Em sua carta de renúncia, Julio Casares negou as irregularidades e classificou as denúncias como uma “trama política ardilosa”. Ele afirmou que deixa o cargo para “preservar minha saúde e proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas”, alegando que sua saída não representa confissão de culpa.

O São Paulo passa a ser presidido por Harry Massis Júnior, de 80 anos. Sócio do clube há 61 anos e empresário do ramo hoteleiro, Massis foi diretor-adjunto nas gestões vitoriosas dos Mundiais de 1992 e 1993. Embora tenha sido eleito na chapa de Casares, Massis rompeu politicamente com o ex-presidente recentemente, integrando o grupo dissidente “Vanguarda”. Sua missão agora será pacificar o ambiente político e estabilizar a administração financeira do clube.

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Leia a íntegra da carta publicada por Casares nas redes sociais:

Ao longo de minha trajetória à frente da Presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição, sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.

Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.

O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.

Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.

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Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube — fatos que o tempo e a história haverão de registrar.

Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.

Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas.

Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.

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A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política.

Respeito essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade.

Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas.

Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de Presidente, com efeitos a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral.

Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil de 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.

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Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu respeito e confiança.

Tenho absoluta convicção de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e da instituição.

Meu afastamento também tem como objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e isenta, sem qualquer alegação de interferência, para que a verdade possa ser plenamente buscada e alcançada.

Reitero, por fim, minha certeza de que o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer cargo, circunstância ou narrativa construída.

Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube.

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Despeço-me com respeito, gratidão e amor permanente por esta instituição, que sempre honrarei.

Júlio Casares

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Fonte: veja.abril.com.br

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