Felipe Massa, em nova fase, fala de medos e vibração com filho no automobilismo

Felipe Massa, em nova fase, fala de medos e vibração com filho no automobilismo

Após quase duas décadas na Fórmula 1, onde disputou 269 corridas, conquistou 11 vitórias e se tornou um dos maiores nomes do automobilismo brasileiro, Felipe Massa, 44 anos, vive hoje uma nova fase nas pistas – e também fora delas. Desde 2021, o piloto compete na Stock Car Pro Series, categoria na qual busca repetir a competitividade que marcou sua carreira internacional. Ao mesmo tempo, acompanha de perto os primeiros passos do filho, Felipe “Pipo” Massa, 16, que estreou com destaque na Porsche Cup Brasil. Em conversa com a coluna GENTE, Massa fala sobre a motivação para seguir correndo, a intensidade da Stock Car e o desafio de ver o filho acelerar nas pistas.

Sandro Saga

Depois de tantos anos na Fórmula 1, o que mais te motivou a construir essa fase na Stock Car? Ainda existe a adrenalina e a vontade de continuar correndo. Acredito que a Stock Car é uma categoria que me devolve essa alegria e esse desejo de competir. Estou, sem dúvidas, feliz em fazer parte disso e por continuar fazendo aquilo que gosto, que é correr em uma categoria competitiva.

Carta do Papai Noel

Hoje, você se sente mais leve correndo no Brasil ou ainda existe aquela pressão de alta performance? Acho que essa sensação de se sentir mais ou menos pressionado nunca muda. A pressão sempre existe, assim como a vontade de performar bem, evoluir, trabalhar duro e fazer o melhor possível, independentemente da categoria em que esteja. Ninguém está ali apenas para participar, mas para ir além, vencer.

O que muda na cabeça de um piloto experiente como você nessa troca de categorias? A Stock Car é uma categoria muito competitiva, preciso estar sempre trabalhando junto com a equipe no acerto do carro. Na classificação, as diferenças são muito pequenas, às vezes nem chegam a um segundo entre todos os carros, e são mais de 30 competindo. Se o carro não estiver no acerto certo e não estiver no seu melhor, a chance de largar lá atrás é muito grande. Sem dúvida, isso traz ainda mais motivação para continuar lutando e trabalhando com a equipe para fazer o melhor possível.

Existe uma meta clara de título? Existe, claro, uma meta de conquistar o título. Em qualquer categoria em que corri, sempre entrei na pista pensando em vencer. E isso continua igual. Não faço parte da Stock Car apenas para estar ali. Se fosse assim, eu poderia ter uma agenda muito mais livre e fazer outras coisas, em vez de dedicar 12 finais de semana do ano ao campeonato. Na hora que não tiver mais essa vontade, com certeza não vou mais correr.

Continua após a publicidade

O automobilismo brasileiro vive um momento competitivo. O nível da Stock Car hoje é comparável a que fase da sua carreira? É comparável ao de qualquer outra categoria. O nível dos pilotos é muito alto e a competitividade dentro da pista também. Sem dúvida, a Stock Car não deve nada a outras categorias; pelo contrário, muitas vezes serve até como exemplo de competição. Isso atrai qualquer piloto e qualquer equipe para fazer parte do campeonato.

Seu filho, Pipo, já começou a trilhar o próprio caminho nas pistas. Como foi ver esse primeiro passo? Sem dúvida foi especial ver ele pedir para correr. Isso aconteceu no ano passado, depois que foi comigo para a corrida das 24 horas de Daytona. Ali virou a chavinha e ele decidiu que queria fazer parte do automobilismo. Ele fez algumas corridas de kart no ano passado e depois quis andar de carro. Coloquei ele tanto na Fórmula 4 como na Porsche. E adorou a Porsche.  Ele está aprendendo, evoluindo cada vez que entra na pista. Claro que é um pouco tenso ver ele lá e torço para que nenhum acidente aconteça. Mas fazer parte desse aprendizado dele e ver ele feliz em correr e ser piloto, é, sem dúvida nenhuma, muito especial.

É mais difícil ser pai de piloto do que piloto? Sem dúvida, é muito mais fácil ser piloto do que pai de piloto. Quando é seu filho ali na pista, sempre existe preocupação extra que todo pai ou mãe tem. Para mim, é mais tranquilo estar dentro do carro, guiando e focado na corrida, do que ficar do lado de fora assistindo a meu filho correr.

Continua após a publicidade

Pela primeira vez, vocês tiveram que se dividir para correr em lugares diferentes. Como lidar com isso em casa? Não foi muito simples, não. Estar correndo em um lugar enquanto meu filho estava em outro, disputando o campeonato dele, não é fácil. Sempre fica aquela preocupação. Mesmo assim, em todos os momentos em que podia, tentava acompanhar os treinos, conversar com ele, passar informação e ajudar no que fosse possível. Eu analisava os dados, assistia ao onboard dele, tentando ver onde poderia contribuir para a evolução dele.

Como você gostaria que sua carreira fosse lembrada hoje? Ser lembrado por tudo aquilo que consegui, conquistei, é o maior carinho que tenho. Já como pai de piloto, é diferente. Não é sobre mim, é sobre o meu filho. O meu papel é apoiá-lo da melhor maneira possível, com o amor de pai, tentando passar alguns aprendizados e experiências que tive ao longo da vida. Se o Pipo tiver muito sucesso, vai ser algo realmente sensacional.

Fonte: veja.abril.com.br

Comments

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Publicidadespot_img

posts populares